Fui esta semana o cinema e assisti ao filme Sr. Sim, cujo elenco é composto por nada mais, nada menos que Jim Carrey. Diga-se de passagem: gostei muito do filme; um, dos poucos filmes de comédia que me arrancou umas gargalhadas ultimamente.

O filme conta a história de um homem chamado Carl, que vive uma vida totalmente rotineira e derrotada, principalmente, após o término de seu casamento. Seus amigos insistentemente o convidam a fazer várias coisas para ver se ele quebra esse vício em que se enclausurara; porém, em cima de desculpas e mais desculpas ele sempre diz “não”.

Até que um dia, Carl, por indicação de um amigo que ele reencontra em frente o banco onde trabalha, se inscreve num programa de auto-ajuda onde, a partir daquele momento, a pessoa deveria dizer “SIM” a todas as oportunidades que se lhe aparecessem na frente. A parir daí, o frustrado Carl que levava uma vida totalmente rotineira, começa a viver de maneira totalmente alucinante e imprevisível, descobrindo coisas novas o tempo todo, pois ele passa a dizer “SIM” a todas as oportunidades o tempo inteiro.

Carl, no entanto, não percebe e não mede as conseqüências de dizer “sim” em todo o momento e a auto-ajuda, que com o tempo era para se tornar algo espontâneo e nato de uma pessoa que agora sabe aproveitar a vida melhor, começou a mostrar seus revezes, de tal forma, que ele perde o controle da vida e passa a correr o risco de se ver longe da pessoa mais importante para ele: sua namorada Allison.

Esse filme além de arrancar umas boas gargalhadas, nos ensina o perigo dos extremos em que as pessoas se sujeitam a viver. Na verdade, o filme retrata a frase mais célebre do livro de Eclesiastes: Não sejais demasiadamente justos… E não sejais demasiadamente ímpios… (Ecles. 7 v 16-17).

O ser humano sempre se propõe a viver extremos buscando significados e razões para a vida. Diante disso, ou a pessoas se entregam num existencialismo puro (dizendo sim a tudo e a todos) ou se entrega num mundo totalmente limitado e controlável (não provando, não tocando, não manuseando nada). O problema dessas duas formas de se conduzir o existir são as complicações e os desdobramentos que ambos produzem. Se de um lado o ato de dizer “sim” a tudo, pode destruir a alma causando a chamada dissolução, de outro dizer “não” a tudo reduz o ser à depressão e a amargura de um existir frio e sem vida – ambos os casos conduzem o ser a morte existencial, ou seja, a destruição da alma.

O que precisamos entender é que num mundo relativizado pela queda, nunca conseguiremos a felicidade plena (dizendo sim) e nunca conseguiremos a responsabilidade e a exemplaridade absoluta (dizendo não). Na vida sempre haverá percalços e improvisos, por isso não nos é revelado o amanhã e a nós cabe viver o hoje.

Por isso que, a partir da fé, tudo se torna Graça e toda essa relativização, em Cristo, é superado; não é à toa que Paulo que tudo o que não é feito por fé é pecado em essência. Eu não preciso dizer “sim” o tempo inteiro, visto que é impossível (e o filme mostra isso) agradar a duas pessoas ao mesmo tempo; como também, eu não preciso dizer “não” a vida toda, a fim de evitar a dor.

O que precisamos crer e saber é que existe uma diferença entre ser pecador e ser sacaneador. Nossos erros não nos diminuem diante de Nosso Senhor, pois, em Cristo, o erro serve de adubo para crescimento e para um existir na Graça dAquele que nos salva por Ele mesmo (consciência de quem é pecador). O que não podemos é usar a liberdade concedida pela Graça para pecar de maneira dissoluta (mente de quem é sacana).

No mais, meu amigo, é viver extraindo o melhor da vida, sem medo de ser feliz!

Este filme eu recomendo!

Vic

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