Repudio alguns ditados populares devido às suas desconexões com a vida. Muita coisa dita como inexorável e que se perpetuou entre nós, os humanos, não acrescenta em nada à vida. Causa-me congestão ouvir: “Mais vale um covarde vivo do que um valente morto.” Discordo, rejeito e recuso tamanho crime contra a existência.
Se tivéssemos de elencar os adjetivos que mais demonstram os tipos de pessoas no mundo, com certeza entre os primeiros estariam os covardes e os valentes. Não tem meio termo; não existe a oportunidade “em cima do muro”; ou você é um corajoso na vida ou não passa de mais um covarde – por ser um estado cômodo, são a maioria.
As diferenças são elementares; mas é sobre as igualdades que podemos verificar quem é quem. É paradoxal, mas nem por isso deixa de ser real. Ambos têm medos; entretanto, enquanto o covarde é consumido, o valente compreende o medo como mais um obstáculo a ser ultrapassado – e ultrapassa. Ambos sentem dor; mas enquanto o covarde morre aos poucos, o valente faz da dor uma ponte para a traquilidade. Ambos se alegram; contudo o covarde facilmente se entorpece e perde os sentidos, ao passo que o valente dificilmente se ilude. Enfim, é nos paradoxos que encontramos os desencontros existenciais de tais indivíduos.
Nas palavras do Filósofo brasileiro: “O Deus de Israel não admite covardes!” (Luiz Felipe Pondé) Quem conhece o Antigo Testamento sabe da história de Gideão e seu exército. Disse o Anjo (uma das maneiras como Jesus se apresentava no AT): “Os covardes que voltem” (Juízes 7: 2,3). A escolha de Gideão se deu por ele ser, nas palavras do Anjo, “um homem valente” (Juízes 6: 12). Mas não é só no Antigo Testamento que se vê um Deus que demonstra ojeriza à covardia. No Novo Testamento, Jesus oferece a oportunidade aos covardes entre os discípulos que, se quisessem, poderiam se retirar. Pedro, um valente entre os seguidores do Galileu, respondeu: “Senhor, para quem iremos? Só Tu tens palavras de vida eterna.” (Jo 6:66-69)
Covardia não coaduna com cristianismo. Todo seguidor genuíno de Jesus só pode segui-lo na dependência do Espírito Santo, que lhe concede virtude e coragem. Portanto, a vida pode ser considerada como um ringue que tem a lona constantemente visitada pelos que covardemente vivem. Aqui, verifica-se a predominância da lei da colheita, pois quem planta covardia, colherá, certamente, desprezo, desamparo e abandono. E Deus repudia tanto os covardes, mesmo que sobreviventes, que lhes garante a não entrada na sua Santa Cidade. (Apocalipse 21:8)
Não há dúvidas de que covardia é falta de fé – falta de acreditar em si e em Deus. Sem fé é impossível agradar a Deus!
Em Cristo, Deus dos valentes,
Will
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