Consequências elementares
Todos os dias os noticiários são banhados com o sangue que jorra de nossa falta de habilidade em conviver como sociedade organizada. Desde Caim, os homicidas se proliferam sem temor à lei e a qualquer elemento de controle social. Do jornal impresso à internet, noticias de mortes tornaram-se tragédias necessárias à informação popular – curiosamente não se noticia nascimentos; são muito comuns. Mas ninguém pode negar que a morte ainda está bem viva entre nós, os mortais.
Vivemos num caos. Uma verdadeira confusão de valores, ideais, princípios, falta de princípios e etc. As famílias já não resistem aos ataques de uma sociedade escrava da sua própria torpeza e que se travesti de liberdade. Poucos são os relacionamentos verdadeiros; há quem cogite que não existem mais amigos de verdade, satisfazem-se com a ideia de que o único amigo é Deus – ser amigo de Deus pode ser fácil, ele sempre tem a razão. A fome assola boa parte do mundo. As doenças se proliferam; desenvolvem-se e evoluem, fazendo dos homens dependentes dos hospitais. Por falta de instrução e, em muitos lugares, pela presença de desprezo, as doenças sexualmente transmissíveis matam por ano quase a mesma quantia que todo o holocausto judeu. A natureza desajustou-se. Nada é estável. Qualquer chuva ou a falta dela já nos enchem de temor.
Ultrapassamos os limites!
Sãos os frutos do desconhecimento de Deus. Não falo de religião. Falo do conhecimento do Deus revelado na pessoa de Jesus de Nazaré.
De acordo com os ensinos do Cristo, desconhecer Deus é desrespeitar a liberdade do outro; desrespeitar a dignidade alheia; pensar em si, somente em si; fazer hoje sem pensar nos desdobramentos de amanhã; é preferir o ódio em detrimento do amor; é tratar a vida humana como qualquer coisa menor do que a coisa menos valiosa que existe; é lidar com a natureza esquecendo-se que somos nós os seus responsáveis.
Esse é o diagnóstico mais exato que alguém já propôs. Tornou-se inexorável e inquestionável, a falta de conhecimento de Deus gerou uma engrenagem de destruição que não para. A destruição do homem enquanto gente e ser, que tem corpo, alma e espírito, é fato inquestionável. Poucos entre nós sabem o que é viver. Somos um bando de sobreviventes, ou seja, vivem para o gasto.
Mas de quem é a culpa?
Nas palavras que Deus transmitiu ao profeta Oséias, a culpa é daqueles que detêm o ofício de transmitir o conhecimento de Deus de maneira livre, racional e, paradoxalmente, pós-racional – para além da racionalidade – (Oséias 4: 1-4).
Nos tempos veterotestamentários a culpa era dos sacerdotes. Daqueles que foram convocados e qualificados pelo próprio Deus, para transmitir a instrução divina aos homens. Hoje, a culpa é daqueles que, em se sentindo sacerdotes, pastores, bispos, profetas e afins, tornaram seu ofício um meio de enriquecimento ilegal; que preferem a guerra ante a paz, a punição ao invés do perdão, a escravidão em detrimento da graça. Apontar em vez de abraçar. Enfim, grande culpa tem a religião, principalmente a cristã, em todo caos do mundo. Não digo que esta culpa seja do cristianismo tão somente, mas afirmo que a culpa é daqueles que julgam possuir o espírito cristão e não vivem pelo espírito de Cristo, pois pecam por ação e omissão.
O desconhecimento de Deus confunde e mata. São consequências elementares, pois nas palavras do próprio Deus somos destruídos por falta de conhecimento (Oséias 4:6). Felizes aqueles que o buscam – de preferência no outro -, enquanto se pode achar.
Em cristo, pois ninguém viu a Deus, mas Ele resolveu se revelar através de seu Filho, em quem não há confusão,
Will
Reflexão baseada no capítulo 4 do livro bíblico do profeta Oséias.

