Enquanto isso, longe da reforma…
Sábado (31/10/2009), completaram-se 492 anos da reforma; e cá estamos diante de uma igreja protestante (digo no todo) bem distante dos sonhos reformados.
Muita coisa é estranha ao evangelho na igreja que se diz evangélica. Mas, prefiro me ater (a fim de obedecer ao propósito da categoria do blog) aos problemas da igreja pentecostal – na qual, como já escrevi, vivi por 8 anos.
Para os que não sabem ou ainda têm dúvida, pentecostal é uma “denominação” que as igrejas moldadas pelas doutrinas oriundas do movimento que começou na Rua Azuza, EUA, em 1900, aderiram. Trata-se de um movimento que enfatiza a doutrina da atualidade dos dons do Espírito Santo no homem, principalmente o falar em línguas estranhas (glossolalia) – embora muitos pentecostais não entenderam nem procuram atender as recomendações do Apóstolo Paulo, quanto a este dom. Na real, toda igreja cristã é pentecostal, afinal ninguém confessa que Jesus Cristo é o senhor a não ser pelo Espírito Santo. Quanto aos dons, são muitas as igrejas “não pentecostais” que concebem a ideia “pentecostal”, de serem os dons elementos atuais na igreja de Cristo dos tempos modernos.
Devido à desgraça chamada de movimento neopentecostal, aos poucos vão desaparecendo as origens e os princípios da igreja pentecostal – até a Assembleia de Deus, a maior denominação e uma das primeiras igrejas pentecostais do Brasil, já se “corrompeu”. O fato é que chegamos num tempo em que, ou o movimento pentecostal se declara neopentecostal, aceitando seu fracasso, ou resisti a esta praga e se torna um movimento firme e reflexivo, pensante e consistente; o que dificilmente acontecerá.
A teologia da prosperidade, maior ênfase do movimento neopentecostal, vai corroendo o movimento pentecostal de maneira espantosa. Diga a um pentecostal que na oração ele não precisa fazer uma lista de pedidos a Deus, entre eles “porta de emprego”, “carro novo” e etc., e ele te acusará de incrédulo. Lembro-me que disse a um pastor que na oração não precisamos ficar pedindo coisas a Deus, visto que todas as nossas reais necessidades foram satisfeitas na cruz do calvário com o golpe de vitória da ressurreição de Cristo e ele logo afirmou que eu estava dizendo que não devemos orar, afinal o que seria da oração sem os pedidos de praxe?
As campanhas, métodos alucinógenos e meios de grande arrecadação financeira neopentecostal, já fazem parte das liturgias pentecostais. São campanhas da vitória, da libertação, da porta aberta e muitos, mas muitos outros nomes e fins desejados, enquanto a consciência da graça e da justificação por Jesus – se é que alguns a têm – definha ante as convicções fracas e nas mentes frágeis dos pentecostais. Como os santos católicos, para cada problema os evangélicos têm uma campanha específica, menos a cruz.
As músicas cantadas entre os pentecostais, são, em grande parte, lixo neopentecostalizado. Quando não tratam de um endeusamento do homem, incentivando os crentes a “atraírem”, “trazerem” e a “chamarem a atenção” de Deus, sendo que as Escrituras dizem que cabe a nós buscarmos a Deus enquanto se pode achar de uma maneira genuinamente evangélica, isto é, nas palavras de Jesus, no próximo, ensinam que não devemos aceitar o sofrimento; pobre Jesus crucificado, fosse evangélico teria aceitado a proposta de Pedro de resistir ao sofrimento, negando o caminho e a cruz do calvário – com certeza teria clamado, ou até feito, um milagre.
As pregações caminham na mesma toada das músicas; na verdade são a grande miscelânea de valores pentecostais e neopentecostais. Os pregadores pentecostais viciaram-se na prosperidade neopentecostal, alguns a travestem de “benção de Deus”, outros negam a todo custo, valendo-se de um argumento fajuto: precisamos de dinheiro para viver – como se a prosperidade bíblica tivesse alguma relação com a teologia da prosperidade neopentecostal -, e quem não precisa. Pregador pentecostal é vidrado em milagre; esquecem que milagre, por definição, não pode acontecer a todo instante; esqueceram, se é que alguma vez souberam, do maior milagre que o mundo já viu: Jesus Cristo.
Toda organização humana acontece num sistema, não duvido nem descreio. Entretanto, é um direito de qualquer humano poder escolher em qual sistema quer viver. Existem – bem poucas, mas existem -, igrejas pentecostais reflexivas, que resistem ao sistema neopentecostal de ser; essas têm a minha confiança e o meu apoio. Não por serem certas, ou detentoras da verdade, mas por reconhecerem o sacrifício de Cristo e o lixo que é o movimento neopentecostal.
Por uma igreja na verdade de verdade,
Em Cristo, a verdade absoluta,
Will


vocês se ofendem se eu disser que estou de saco cheio desse discurso? Espero que não…