Talvez essa despedida não lhe comova, mas anuncio minha partida sem qualquer dor no coração. Não existem mágoas. O que existe é um senso de perda de tempo, ou mesmo perda de vida. Mas sou otimista, ao menos aprendi como jamais tratar a vida.
Seus grilhões estiveram em mim por muito tempo; seu jugo não foi nada suave, e ainda tenho as cicatrizes do seu fardo. Quase morri. Por pouco não transformei a fé em uma experiência insossa, engessada e inócua.

Despeço-me sem a preocupação de olhar para trás; não cometerei o mesmo erro da mulher de Ló; contrario-te, não morrerei como uma estátua de sal. Tudo foi muito superficial, contraditório e angustiante. Confesso que vivi por muito tempo iludido; meus olhos brilharam com coisas que hoje me causam enjoo, às vezes não acredito que fui capaz de algumas coisas.
Por você, construi amizades que só hoje percebo que foram meramente igrejistas; não resistiram ao tempo e ao espaço; relacionamentos que garantiram-me noites de sorrisos, e abraços confortantes, mas tudo foi muito passageiro, simplesmente acabou.
Abandonei o seu deus – seu fundamento; seu céu – seu maior objetivo; e sua vida – sua maior morte. Diferentemente de você, não sou mais o dono da verdade, ela resume-se a uma pessoa, isto é, a Jesus de Nazaré, e o que passar disso é invencionice de suas teologizações sistematizadas.
Antes que algum de seus filhos me acusem de cuspir no prato que comi, quero garantir-lhe que como, desde o ventre de minha mãe, nos pratos de uma mesa maior, o que as Escrituras chamam de graça; e isso não é propriedade sua, é dom de Deus.
Consciente desta graça invencível, alço voo para eternidade. Faço do chão da minha existência minha catedral. Jogo no lixo seus dogmas infernais. Rendo-me integralmente à salvação em Cristo e proponho-me somente a viver. 
Com a paz de Cristo no coração, e a certeza de que fui redimido pelo sangue vertido na cruz do Calvário – que alveja todo o meu ser -, eis o meu canto – que é eterno: Bendito és tu, oh Deus da graça, pois foi desviando-me da religião que te encontrei, oh Cristo!
Adeus religião maldita, sanguinária, tola, imbecil e infernal.
Nele, Jesus de Nazaré, meu único Senhor e Salvador,
Will.
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