Um Bomfim
Com a chegada do “Formspring” ficou difícil continuar com a nossa categoria – diga-se de passagem, uma das mais vistas no blog – Entrevistas. Contudo, como nossas entrevistas não querem nada mais do que apresentar bons nomes da blogosfera, decidimos continuar, acreditando que esta é uma das seções de nosso blog que mais contribui para o conhecimento de bons blogueiros.
Chegamos na blogosfera em 2006, e um dos blogs que mais liamos era o IpodJesus – por ser um blog feito por um cristão e com assuntos que nos interessávamos muito, escritos de uma maneira prazerosa de ler. Mas logo ele foi desfeito.
Findo o IpodJesus logo chegou, em seu lugar, a Livraria do Thiago, escrita pelo mesmo autor. E é este o entrevistado da vez.
Seu nome é Thiago Bomfim. Eu não o conhecia pessoalmente, mas tive a boa oportunidade de conhecê-lo na quinta-feira (28/11), e confesso, sem exageros, que conheci um pessoa muito legal. Sincero, verdadeiro e espontâneo, este é Thiago Bomfim. Ainda que muitas dúvidas sejam levantadas sobre sua pessoa, o Thiago da Livraria é uma pessoa e tanto.
Melhor do que falar dele é melhor deixar que ele mesmo fale, aproveitem esta entrevista para conhecê-lo melhor. Recomendo que leiam a LIVRARIA DO THIAGO.
Celebrai: Você, pelo que se vê no seu blog, é um cara crítico e considerado exagerado, afinal quem é Thiago Bomfim?
Bomfim: É muito fácil criar conceitos sobre pessoas com as quais nós não convivemos. A imagem que a internet tem do Thiago é apenas uma sombra distorcida daquilo que eu sou todos os dias. Agora imagine uma coisa: se a perspectiva que as pessoas tem de mim olhando de fora já não é lá uma coisa boa, imagine o que você pode encontrar nos obscuros terrenos do coração que só são sondáveis por Deus?
No meu dia a dia sou um cara repreendido frequentemente pelo prolongado silêncio (não sou de falar). Por outro lado, sou impulsivo e jogo no lixo anos de boa conduta e reputação quando pisam nos meus calos.
Celebrai: Como nasceu a idéia do blog “Livraria do Thiago”?
Bomfim: A Livraria surgiu de um breve tempo de silêncio depois do fim do iPodJesus. Quem tem blog, cara, gosta de ser ouvido. E ficar calado por muito tempo é um tortura. É triste ter que afirmar isso, mas talvez essa nossa vidinha de internet só seja um grito disfarçado de “por favor, me ame, não me deixe sozinho”. A proposta inicial era falar de livros. Hoje não há proposta nenhuma.
Celebrai: Por que você abandonou o “IpodJesus”, afinal ele foi um dos primeiros blogs da blogosfera, além de ser muito visitado?
Bomfim: O iPodJesus é daquelas falsas sensações de fama que você precisa rejeitar. Quando todo mundo grita muito à sua volta, impedindo que você fale, é hora de você sair do meio da multidão. Foi isso que eu fiz: saí daquele furdunço pra ficar calado por alguns meses.
Celebrai: Além da vida, qual o seu segundo ministério?
Bomfim: Gosto de ensinar. Estou estudando pra ser professor.
Celebrai: Pra você, o que Jesus quis quando fundou a sua igreja: uma igreja fundamentalista, pentecostal, neopentecostal ou gospel?
Bomfim: Isso tudo é invenção nossa, Will. Jesus deixou uma lista de credos e conduta? Ele só queria que um relacionamento que andava frio fosse reavivado. Sabe quando um marido que brigou de manhã e à tarde trouxe uma flor para a esposa? Deus se zangou com a humanidade e no entardecer veio com o mais belo “buquê” de reconciliação: Jesus Cristo.
Celebrai: É possível ser gospel (nos moldes brasileiros) e criativo/inteligente?
Bomfim: Nos moldes brasileiros é dificil só “ser” que dirá de “ser criativo”. Conheço pouca gente que me desperta interesse por aqui. É insípido o ambiente de igreja: ninguém lê, ninguém ouve música boa… Aí tentam compensar a morosidade da igreja com sessões de cinema e sites bonitos rebocados com Photoshop. E o mais triste: o que há de estupidamente tedioso da gringaiada aplaudimos de pé por aqui: sou só eu ou tem alguém mais que ronca com os escritos do Rob Bell?
Celebrai: Sei que você quer ser professor de literatura, portanto, quais as boas dicas pra uma boa escrita, além de ler, ler e ler?
Bomfim: Escrever, escrever, escrever. Deixar textos de molho, pedir uma olhada de amigos chatos e críticos. Essencial: nunca concluir um texto com a sensação de que está bom. Não sei por que perguntas a mim sobre boa escrita: sou um embuste nessa matéria, rs.
Celebrai: Por que desistiu da “i”greja (instituição religiosa), já que ela se diz a portadora da verdade absoluta, onde ainda que se diga haver salvação só em Cristo sem ela nada podemos fazer?
Bomfim: Tenho uma disposição muito gasta para os assuntos de igreja. Mesmo em instituições que lutam por boas causas, os delizes me irritam. Agora sou sincero em reconhecer que isso é mais defeito meu. Mas não abomino as quatros paredes, só que EU me sinto sufocado por elas.
Celebrai: 5 livros e filmes que ainda te incomodam?
Bomfim:
Livros:
- A mulher que matou os peixes – Clarice Lispector
- A cadeira de Prata – C.S. Lewis (garças ao paulama)
- Oliver Twist – Charles Dickens
- Cândido – Voltaire
- Blue Like Jazz – Donald Miller
Filmes:
- Into The Wild (não sai da minha ideia dar uma de louco igual o Christopher McCandless e sair pelo mundo)
- O Advogado do Diabo
- Estamira
- Gran Torino
- A Missão (quase virei católico por conta desse filme. Sou simpatizante dos Jesuítas graças ao Robert De Niro)
Celebrai: Quais os pensadores cristãos que iluminam o seu coração – se possível não só os que já morreram, mas os vivos também?
Bomfim: Pensadores cristãos… Gosto de gente que são extremas nas suas ideologias, tão extremas que saem do mundo das ideias e vão para o frustrante laboratório da vida: assim foi com Søren Kierkegaard e com C.S. Lewis.
Sobre gente vivia: li um conselho do Derek Webb que dizia que ler caras que estão vivos não é bom. Já estamos muito contaminados pela visão do nosso tempo: somos bombardeados por ela o tempo todo em diferentes mídias. Como não podemos ler livros do futuro, que ainda serão escritos, resta-nos os bons livros dos defuntos (ou dos vivos que já estão com um pé na cova). Por ser um cara tão anacrônico, considero Derek Webb uma inspiração, mesmo que ele não seja um acadêmico, mas a sua música cortante como navalha já é o suficiente.
Thiago Bomfim


Muitas vezes nos vemos como larvas que ficam acrisoladas num casulo, impedindo que conheçamos o mundo das flores, mas quando nos arriscamos a romper e nos deixar ser cegados pela luz, nos deparamos com um mundo altamente novo, longe das "certezas" que o casulo da instituição nos faz ter, vemos que o mundo das rosas é grande demais para nosso vôo e com isso a variedade de cores e perfumes, faz crer que romper com o casulo valeu a pena.Thiago Bomfim, mais uma borboleta que se arriscou a se aventurar no universo das flores.Paz e bem grande xará e Willzão.