Um amigo me perguntou se sou gay, respondi que não sou tão homem assim. É que pra ser gay o cara tem de ser muito macho, afinal tem de enfrentar uma sociedade agonizantemente travestida de democracia – talvez este seja um bom motivo pra que alguns digam ser a democracia uma grande utopia -, um contingente de pessoas que dizem lutar pela paz, mas não conseguem respeitar a opção sexual alheia. É um absurdo se sentir ofendido, a ponto de optar pela agressão física ou verbal, com a opção sexual do seu próximo.

É um crime contra os valores propostos na Constituição uma comissão de senadores dedicar a preciosa pauta legislativa à votações de um projeto que visa criminalizar a homofobia. Pergunto: que diabos de liberdade é essa? Sociedade fétida! Não consegue, ao menos, prestar respeito àqueles que a compõem. Eles, nossos honoráveis legisladores, deveriam “perder” um pouco do seu (precioso) tempo, votando sobre os direitos dos animais, estes sim, (por natureza) vulneráveis e indefesos. Homofobia é um dos outros nomes para o antônimo de democracia. Quem descrimina um homossexual, não pode viver em sociedade.
Não sou daqueles cristãos que julgam antes de amar; não trilho este caminho, aliás, acredito que o amor é um verbo que pressupõe acolhimento e respeito em detrimento de qualquer preconceito. Mas também não sou daqueles que apóiam a homossexualidade alheia. Defendo com unhas e dentes o direito do outro escolher suas relações, mas não sou obrigado a concordar com suas práticas; mas, enfim, isso é uma opinião minha (quem quiser que concorde ou discorde, somos livres pra tanto) – também não concordo, por exemplo, com gente que transa com a mulher alheia; deliberadamente sem camisinha; por diversão; como passatempo etc. Não, não sou controverso, apenas acredito que no ambiente da liberdade todos podemos optar, escolher, decidir…
Não sou calvinista, tampouco determinista, portanto acredito que tudo na vida é uma questão de escolha – mesmo que indiretamente e acometido por fatores alheios à vontade -, até morrer. Não adianta jogar na mesa falácias como: homossexualidade é possessão maligna, alteração genética etc.; não me rendo a essas versões absurdas e deterministas. Homossexualidade é decisão! Felizes são os gays, pelo menos eles decidem e não ficam em cima do muro como muitos “héteros”.
A pergunta do meu amigo se originou no fato de que me declarei virgem; pra variar ele custou a acreditar – ainda penso que ele não acredita. Impera na sociedade uma ideia de que um jovem de 22 anos não pode ser virgem. Se for, ou ele é gay ou louco. Mas virgindade também é uma opção, daquelas que exigem fibra, teimosia e, sobretudo, alguns pingos de loucura. Sexo deve ser algo muito bom, mas decidi seguir o grupo de bobões que acreditam em um amor pra vida toda (insanidade não muito convencional).
A verdade é que sou um daqueles humanos que acreditam ser da mulher o sexo do homem, e vice-versa – e tenho todo o direito de pensar assim. No entanto, ser gay é um grande desafio reservado para homens que são muito machos, corajosos e valentes. Convenhamos, tem de ser muito paciente pra suportar a ignorância da sociedade na qual vivemos e fazemos parte; sociedade viciada em BBBA Fazenda, Colheita Feliz e afins.
Não sei se desapontei alguém, mas reitero: não sou homem o bastante pra ser gay. 
Sou mais um covarde encantado e apaixonado pelo sexo oposto.
Will
2leep.com