(imagem: transitoriamente)

É uma paixão antiga. Muito antiga. Eu ainda tinha 6 anos. Morava na Casa Verde (bairro da cidade de São Paulo), numa rua a duas quadras de uma via em que uma escola de samba fazia seus ensaios nos finais de semana. Acho que era a Império da Casa Verde. Acredito que naquele tempo eles não tinham quadra – difícil lembrar exatamente, afinal me mudei de lá para Diadema-SP há 14 anos. A Império é uma das principais escolas de samba paulistanas. Pentacampeã – até agora – do carnaval paulistano.



Frequentemente descíamos (a molecada da rua) pra ver os ensaios. Ouvíamos o samba da bateria e imediatamente abandonávamos a bola, o vídeogame, a pipa ou a bola de gude – nada era mais forte que as batidas do samba. Era tudo muito maravilhoso. Agitado. Genuinamente brasileiro. Samba, alegria, festa e muita, mas muita gente reunida. Éramos, ainda que apenas naquele instante, comunidade. Tínhamos algo em comum: o samba.

Alguns parentes meus arriscavam desfilar. Sabiam, pelo menos, sambar. Eu até que tentei, mas era muito pequeno. Não aprendi a sambar, tampouco consegui encarar o Anhembi. Hoje eu ensaio uns passos de samba, mas não sou nenhum passista profissional – arrisco com um pouco da minha jinga (quase) negra, mas nada que se compare aos sambistas do Sambódromo, no máximo festinhas com pagode.

Minha paixão pelo samba das escolas não se apagou. Sou um telespectador do samba em época de carnaval. Acompanho as escolas até que o sono chega, me vence, me tomba. Depois, com a ajuda da internet e da reprise dos desfiles, vejo e revejo todos os desfiles. Quando chega a hora da apuração estou lá, na frente da TV, contando ponto a ponto, torcendo e vibrando.

Não me dói ver a nudez da mulher brasileira; ainda que seja uma redução da humanidade feminina, considero o contraste das cores alegóricas e dos corpos humanos. Me impressiono com os enredos. As histórias e curiosidades me ensinam muito, como a um livro. Admiro os puxadores. Quanta voz! Quanto timbre! Quanta força! Tanto coração! As baterias são invejáveis; samba de primeira.

No carnaval, enquanto uns preferem a folia, e outros retiros familiares ou religiosos, eu cumpro um ritual, uma antiga paixão: Sento na frente da TV e vibro. Meu carnaval é colorido, mesmo que à distância. Qualquer dia junto uma grana, compro um ingresso e meto as caras no Sambódromo. Aí será completo.

Um amante do samba,

Will
2leep.com