Ao longo do tempo, cada vez mais percebo a confusão que muitas pessoas fazem quando interpretam o texto de Mateus 12 v 33:

“Pelo fruto se conhece a árvore.”


Segundo a interpretação prevalente na mente de muitos cristãos, quando o Mestre diz tais palavras, muitos a entendem como se Jesus estivesse se referindo a uma terceira pessoa. Com este tipo de hermenêutica, existem três tipos de pessoas que se valem do erro interpretativo:

1° – Os Líderes eclesiásticos zelosos da tradição cristã: nesta categoria, se enquadram a maioria dos líderes evangélicos. Estes se aproveitam deste erro, a fim de limitar nossas amizades, delimitar o convívio entre apenas os que são da fé (isto é: com os que são evangélicos) e restringir a liberdade cristã.

2° – Os “Comerciantes da Fé”: Neste outro grupo, um pouco menor e mais restrito, cujos integrantes possuem caráter duvidoso, usam tais dizeres para se manterem escondidos em seus ministérios, a fim de continuarem no poder.

3° – Os defensores dos “Comerciantes da Fé” e dos “Líderes eclesiásticos”: este grupo, composto pelos membros de igreja, usam este verso, a fim de proteger e defender líderes que não andam em conformidade com o Espírito do Evangelho. Você já ouviu expressões do tipo: mas você não vê as obras que Apóstolo Sicrano faz? Quantas almas o Pastor Fulano de Tal salva?

Você já ouviu algo parecido? Pois bem, eu já ouvi várias vezes…

Entretanto, gostaria de dizer, para a surpresa de todos, que Jesus não estava se referindo a uma terceira pessoa. Cristo, ao usar tais palavras, olhava para si mesmo, e seu convite é para que cada um olhe para si, descobrindo qual fruto que cada um produz. Não é um convite para defender ou julgar pessoas (terceiros), mas um chamado para um olhar interior, em que cada pessoa sabe e conhece os porões do próprio coração.

Jesus, ao proclamar este ensino, não estava dizendo: olhe para a vida do outro, para saber se ele é de Deus. Caso fosse este o propósito de seu ensino, existiriam alguns problemas, tais como:

  • Como Ele poderia ensinar “tira primeiro a trave do seu olho, para depois tirar o cisco do olho do teu irmão”, se seu objetivo fosse “Olhe para a vida do próximo?

  • Ou, como ele poderia dizer que os fariseus eram como “sepulcros caiados”, se seu convite não dissesse a respeito de um “olhar interior”?

Portanto, quando nosso Mestre nos ensinou “pelo fruto se conhece a árvore”, ele não se referia sobre as cogitações acerca de outras pessoas. Ele queria nos ensinar para voltarmos o olhar para nós mesmos, visto que somente eu sei se o fruto que eu produzo é realmente bom! Sendo assim, amigo, eu não sei dizer se os seus frutos são bons ou ruins, mas você realmente sabe que tipo de fruto você produz. Simples assim.

Nele, que sonda e conhece os corações e sabe quem são os tais que a Ele pertencem.

Por Victor

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