A desobrigação da graça
Em certa cidade, existia um homem muito rico que era proprietário de uma grande fazenda. Nesta fazenda, moravam com Ele: sua mulher, seus dois filhos e seus empregados. Durante anos, enquanto seus dois filhos eram ainda pequenos, este homem trabalhara sozinho na administração de sua propriedade.
No entanto, depois que seus filhos tornaram-se adultos, este homem começou a elaborar em sua mente o momento ideal para convidá-los a administrar a fazenda.
Antes do tempo, porém, os filhos começaram a cobrar seu pai a respeito do trabalho, e ele lhes dizia que no momento certo haveriam de administrar. Mas eles, ansiosos e apressados, insistiam com o pai acerca da administração da propriedade. O Pai, para mostrar a inexperiência deles, os experimentou na fazenda. Dividiu o serviço da seguinte forma: ao mais velho ficou o trabalho mais burocrático: Cuidar das leis da fazenda, ser exemplo aos demais funcionários, exercer a justiça com equidade. Já ao mais moço, o pai deu a administração do campo.
Não demorou muito tempo para o Pai ver que seus filhos eram ainda “crianças” no que tange à administração da propriedade. O filho mais velho, por se achar mais digno e, naquele momento, executar um serviço que, em sua opinião, era o melhor dentre todos, se tornou arrogante em seus atos: guardou a lei da fazenda ao modo como lhe convinha, não servia de exemplo aos demais funcionários, visto que acabou cometendo os mesmo erros que os demais – atrasos, furtos, enganos etc – e não exercia a justiça com equidade – aos mais fracos, juízo; e aos mais fortes, isenção. O filho mais moço, logo de inicio, se perdeu na administração do campo, de forma que seus trabalhos ficaram distantes do ideal do Pai.
O pai vendo tudo isso, encerrou seus filhos embaixo de uma mesma sentença: os dois são maus administradores.
Passados os anos, no momento em que na concepção do pai cumpria-se “a plenitude dos tempos”, isto é, momento em que ele percebeu que os seus filhos estavam preparados para receber a administração da fazenda, o pai, cheio de graça, os chamou novamente para trabalharem na propriedade.
O filho mais novo, quando recebeu a proposta, envergonhado de sua primeira administração, disse “Não” e saiu da presença do pai. Quando foi a vez do mais velho, este disse “Sim” e também saiu da presença do pai.
O mais novo disse “Não” devido à honestidade presente em seu coração, mas mesmo assim ele pensou na proposta do pai, viu a misericórdia com que fora tratado, que mesmo ele tendo se perdido na primeira vez o pai o chamara novamente, este se arrependeu e foi pra fazenda. Já o outro irmão disse “Sim”, devido a presunção que havia em seu coração e por acreditar que ser filho daria a ele o direito de ter parte na fazenda; sem falar que, quando este soube da resposta do mais novo, acreditou que seu irmão não se atreveria a trabalhar na administração e cogitou que seu pai o encerraria novamente debaixo de alguma sentença.
Quando o mais velho chegou à fazenda e viu seu irmão trabalhando juntamente com seu pai, este se indignou pela bela bondade e misericórdia do pai, e pelo arrependimento do irmão, e foi embora da fazenda. O mais velho não quis mais trabalhar para seu pai.
Depois de tudo isso, uma pergunta sempre ficou na mente do pai: quem realizou a minha vontade?
Esta história é a que eu sempre conto às pessoas que me perguntam sobre a Graça. Visto que, em minha opinião, na graça a única obrigação é a desobrigação, porque o amor do pai, que é livre, sempre nos constrange ao arrependimento.
As pessoas ficam indignadas com minha maneira de pensar, e concluem que estou ensinando errado, e que “ este modo de pensar” abre “brechas” para o pecado. O problema é que este não é o meu pensamento, este é o pensamento do Pai. O Pai é que sempre pergunta a todos:
Quem fez a minha vontade: O Filho que disse “Não”, e que a graça da desobrigação o fez ir; ou o Filho que disse “Sim”, e a graça da desobrigação o revoltou, visto que este era filho da lei e não da Graça?
Deus sabe que seu amor nos constrange, nós é que não sabemos. Dessa forma, nós, que muitas vezes estamos desinformados, nos apegamos às leis a fim de salvar nossa própria administração. Entretanto, acabamos tropeçando em nossas próprias exigências, visto que a vida é antes da Lei e não a Lei antes da Vida. Deus sabe dessas limitações, por isso que na plenitude dos tempos, ele instaurou uma nova ordem e chamou a todos novamente perante Ele, isto é, na Cruz, a fim de que nossa administração agora seja feita na voluntariedade graciosa da desobrigação.
Portanto, a proclamação da Graça é: Todos pecaram e destituídos foram, mas graças a Deus que temos a nossa vitória em Cristo, em quem não temos mais nenhuma condenação.
Simples assim!
Nele,
Em quem não temos mais nenhuma condenação.
Victor.
2leep.com
A graça de Deus: conhecia de ouvir falar, de estudar, de ler…. Hoje meu coração conhece pq ela me alcançou! Totamente sem condições, não há nada que façamos para Ele nos amar mais ou menos… Não depende de nós! Eu quero me relacionar com o Pai que me aceta do jeito q sou… Lindo texto!
Um abraço
Lu