Opinião de um “agnóstico” sobre religião
Religião é mesmo algo estranho. Eu conheço o conceito de religião e já ouvi todos os argumentos científicos ou religiosos sobre isso, como aquele famoso em que a atividade cerebral entra em um modo operacional diferente durante as orações. Ok, isso faz um pouco de sentido, mas não poderiamos dizer o mesmo sobre a medicação? Categorizo isto tudo em um departamento: auto-sugestão.
Mas enfim, voltando ao assunto do nosso texto, falemos sobre religião. Acho que posso me considerar um agnóstico. Já ouvi pessoas dizerem que sou ateu, outros que não sou agnósticos e outros dizendo que eu sou um grande filho de Madalena, mas como este é um mundo individualista, creio que a minha opinião é a que vale, portanto sou agnóstico, palmeirense e feliz.
A primeira pergunta quando falo que sou agnóstico é se acredito em Deus. Acredito e não acredito. Como assim? Explico. Caso ele exista, bem, que bom. Caso ele não exista, paciência, o que posso fazer? Contra o estresse e a má digestão, decidi que só me preocupo com coisas sobre as quais eu tenho controle, e convenhamos, Deus é alguém que escapa um pouco da minha alçada, certo? Em seguida a minha resposta sou sempre questionado sobre qual a minha crença. Bem, eu acredito em física (e olha que eu sempre fui péssimo nisso durante o colégio). Como dizem, o que vai sempre vem. Os japoneses chamam isso de Karma, eu chamo isso de justiça. Faço coisas boas, e eventualmente alguém me fará o bem. Faço algo ruim e e eventualmente alguém irá retribuir e equilibrar o universo. Funciona muito bem para mim, muito obrigado.
E então vem sempre a ultima pergunta, sobre a qual sempre debato um monte: o que acho da religião. Bem, parafraseando George Carlin, religião para mim é besteira. Quer dizer, eu não perco meu sono se milhões de pessoas decidem que precisam ajoelhar e olhar pro leste 5 vezes por dia e muito menos se 30% dos brasileiros preferem dar 10% do dinheiro deles para pessoas que são acusadas de fraude financeira contra o tesouro. Eu acredito que cada qual deve cuidar do seu, muito obrigado. É claro que a religião tem benefícios sobre algumas pessoas. Por exemplo, o meu tio era bebia, jogada e fumava. Hoje ele é pastor da universal. A vida dele melhorou? Sim, podemos dizer que sim, mas explico isso matematicamente. Pensem comigo:
1) Um sujeito ganha 300 reais por mês. Se ele fumar e beber, como meu tio, ele bebe no mínimo 6 garrafas de cerveja por semana e fuma, no mínimo, quatro maços de cigarro. Cada garrafa custa 3 reais, totalizando 18 reais por semana. Cada maço de cigarro, vagabundo, custa 2 reais. Ou seja, oito reais por semana. Totalizando os gastos nestes dois aspectos chegamos a 110 reais por mês.
2) Caso este sujeito entre vire evangélico, por exemplo, ele deve dar 10% do salário dele. Como ele ganha 300 reais, ele dá 30 reais de dízimo. Para ir a igreja, ele precisa parar de beber, de fumar e de jogar (sinuca, truco, pife e derivados). Vemos ai uma economia aproximada de 80 reais por mês, se compararmos o gasto que ele teria normalmente em um boteco caso ele não fosse da igreja – e olha que eu nem considerei aperitivos e o preço das fichas.
Resultado: o sujeito entra para a igreja e assim, na lata, já economiza 80 reais. Somado a isso, sóbrio ele não bate na mulher e nem maltrata os filhos. Como não vai ao bar, ele passa mais tempo em casa e a harmonia familiar tem mais chances de prosperar.
Funcionou? Sim, funcionou. Mas não foi a igreja e muito menos o dízimo, o que deu jeito na coisa foi simplesmente a vida. Sóbrio, com dinheiro no bolso e passando as noites com os filhos e a esposa, é óbvio que a vida da pessoa melhora. Isso não foi obra do pastor, foi obra da boa e velha vergonha na cara.
Geralmente neste momento me questionam e dizem que nem toda religião exige dízimo. É verdade, mas 90% das religiões são exclusivistas. O que isso significa? Que se você não faz parte dela, você não será salvo. Ora, isso é um tanto quanto injusto, não é? Você pode ser um católico justo, que não bebe, não fuma, não bate na mulher, observa todos os feriados religiosos, faz caridade e acima de tudo é um cidadão justo e respeitado pela sociedade. Só há um único problema com ele… Ele não é muçulmano, e portanto ele irá no primeiro trem expresso para o inferno. Pelo simples fato de escolherem a religião errada, um bilhão de chineses estão condenados ao fogo. Não me parece justo.
Guerra, doenças, fome, pobreza, desigualdade, corrupção, terremotos, maremotos, furacões, enchentes e secas. Listei ai calamidades que afetam a humanidade desde o início dos tempos. Algumas são causadas pelo homem, outras são causadas por Deus (ou pela natureza, se você é como eu). Entendo o argumento sobre a responsabilidade humana no quesito guerras, fome, corrupção e desigualdade, mas não me sinto tão responsável quanto Sadam Hussein por furacões, maremotos e derivados. Catástrofes naturais são causadas pela natureza ou por Deus. A natureza tem falhas geológicas, climáticas e derivados. Deus, por ser Deus, deveria ser infalível. E então me dizem que Deus não falha, que tudo estava escrito. Quer dizer então que Deus premedita mortes em massa, questiono. A resposta? Deus está testando você, testando sua fé. Me desculpem, mas destruir familias e civilizações por este motivo me parece um tanto quanto mesquinho. Se Deus fosse humano, eu diria que isso é um problema de auto-estima.
Isso sem falar na biblia, um livro milenar. Ela, que foi escrita numa lingua antiquíssima, foi traduzida para uma centena de linguas e por milhares de pares de mãos. Em toda tradução há o quesito interpretação. Por exemplo, a palavra “como” tem dois significados: comer, ingerir, ou explicação de uma ação (Como isso aconteceu?). Imaginem o efeito que este tipo de duplicidade tem sobre um livro de mais de duas mil páginas e que foi traduzido de uma lingua que pouquíssimas pessoas sabem por completo. Agora adicionem a isso o efeito humor. Quem aqui fala inglês? Já te pediram para traduzir alguma coisa? A mim há. Posso ser uma péssima pessoa ou amigo, mas a qualidade da minha tradução resulta e muito do meu humor quando a faço. Some a isso duas mil páginas, milhares de mãos à obra e, principalmente, à condição social e política da época. Consideram a possibilidade de um tradutor romano ter omitido alguma coisa da biblia por acreditar que aquilo não fazia sentido ou que era ofensivo? Quem vai provar o contrário? Ou melhor, quem vai me provar da inexistência dessa possibilidade?
Enfim, as discussões são sempre muito extensas e acho que ficará cansativo (se já não ficou) se eu transcrever os argumentos e os pontos levantados aqui neste texto. Resumindo: a religião para mim é uma simples muleta social. Na maioria das vezes as pessoas se apoiam em Deus para justificar seus fracassos e suas falhas. Não tenho um emprego melhor porque Deus não quis. Isso sem considerar a maior parte dos casos, em que péssimas pessoas se regeneram das suas e seus crimes com a religião. Já repararam como o número de religiosos dentro dos presídios chega sempre às alturas? Não lembro com exatidão, mas há um ditado que diz que todo mundo torna-se justo e inocente com o nó da forca no pescoço. Como diria Bezerra da Silva, a religião na maioria dos casos é a aposentadoria do malandro.
Por Rodrigo Teixeira, blogueiro e palmeirense dos bons.
Blog’s do Rodrigo: Aqui e Aqui
Twitter: @ro_teixeira
Ps.: O Celebrai agradece a contribuição do Rodrigo Teixeira, mas deixa claro que é justamente o contra o deus citado no post que tanto lutamos.
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Olá Menino.
A Paz!
Continue deixando o Senhor te guiar em suas palavras e reflexões.
Deixe o Senhor te usar em todos os momentos da sua vida!!
Michelle