“Se o lugar não está pronto para receber TODAS as pessoas, o lugar é deficiente!”

(Thais Frota)

Ao acessar o “Orkut”, vi uma “promoção” em que o indivíduo usa uma imagem do símbolo internacional para cadeirantes, mas com uma notável alteração, que mostra uma pessoa levantando da cadeira de rodas e embaixo escrito: “Jesus cura”. Sinceramente, fiquei chocado.

Trabalho desde meu primeiro ano de faculdade (há quase 10 anos) com pessoas com diversos tipos de deficiências (visual, auditiva, intelectual, física etc.) e atualmente tenho amigos com alguma deficiência (digo mais, toda vez que estou com eles aprendo algo novo), e em todo esse tempo nunca vi e nem conheci uma pessoa com deficiência que foi curada sem fazer uma cirurgia, fisioterapia ou utilizando qualquer outro tipo avanço médico/tecnológico.

Não que eu não acredite em milagres, pelo contrário, acredito, mas muitas igrejas colocam a deficiência como se fosse um problema muito grave e, portanto, o “coitado” precisa de oração para que Deus tire esse mal da vida dele. Afinal se ele esta naquela situação é porque ele está em pecado, ou é um castigo para a família, por culpa de algo que alguém fez no passado.

Antes de a igreja orar/rezar para que ele seja curado, não seria mais coerente perguntar a ele se quer que orem/rezem por ele? Não seria importante perguntar quais as reais necessidades dele?

Acredito que quem necessita de cura verdadeira são as pessoas preconceituosas, deixando o preconceito de lado e percebendo que na verdade essas pessoas são muito eficientes, mas com um diferencial, apenas não enxergam, não ouvem, não andam ou apenas necessitam de uma atenção especial.

Relato de um caso real:

Na igreja que frequentava, havia também um cadeirante. Na época questionei a liderança para que construíssem uma pequena rampa de 10 cm. de altura na entrada, para assim facilitar o acesso dele. A resposta era que do jeito que estava, elas se sentiam úteis em ajudá-lo e isso deixava-o feliz.

Pergunto: Onde que entra aquela história de que a igreja está aberta a todas as pessoas? Como as pessoas com deficiência vão ter acesso às igrejas, sendo que a maioria não oferece o melhor para TODOS, não tem intérpretes de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) para os Surdos, nem audiodescritor para os Deficientes Visuais? E como receber bem um cadeirante que necessita ir com frequência ao sanitário, que tem que ser totalmente acessível (seguindo as Normas ABNT 9050) ? Será que na hora de usar o banheiro o cadeirante vai querer a ajuda de alguém? Ou será que a melhor ajuda que podemos oferecer é tornando os locais acessíveis (inclusive as pessoas que não possuem deficiências, fazerem o favor de não utilizarem os locais destinados a deficientes)?

Nem sempre as pessoas com deficiência são aquelas que nasceram desse ou daquele jeito. Muitos adquirem a deficiência com o passar dos anos, seja por acidente ou doença, e nem sempre ela é definitiva, quem já quebrou um membro sabe como é difícil estar ele imobilizado.

Para terminar, deixo algumas observações finais:

Sim, sou cristão, acredito em Deus, frequento uma igreja e respeito a religião de cada um. Talvez você ache que esse texto seja de um “crente” para outros “crentes”. Sim, é isso mesmo, afinal todos nós somos crentes e acreditamos em alguma coisa, seja em Deus, deuses ou qualquer outro tipo de crença. Respeito todas as religiões e esse texto é válido para um Umbandista, Budista, Católico, Judeu, Testemunha de Jeová ou qualquer outra religião, pois as pessoas com deficiências estão presentes em todas as religiões. Todo mundo, independente de raça, credo, deficiente ou não, partido político, instrução etc merece respeito.

Lembre-se que por diversas circunstâncias qualquer um de nós está sujeito a ficar temporariamente ou definitivamente com alguma deficiência, para isso, basta estar vivo. Ou podemos ficar com uma idade avançada e então teremos mais dificuldade para certas atividades, o que faremos então? Você não vai querer ser bem tratado? Pense nisso!

Autor: Alberto Duck (@albertoduck)

2leep.com