O milagre da divisão dos pães e peixes
“… Entre as belas paisagens das planícies da palestina, uma multidão desconfiada e ressabiada acompanha o filho do carpinteiro. Entre algumas pessoas os comentários eram sobre os primeiros milagres do filho de José, entre outras os falatórios se restringiam a origem do enviado de Nazaré.
Todos caminham para uma montanha, na esperança de entender o que de novo estava prestes a acontecer na história. Enquanto caminhavam, muitos pássaros cantavam; a cada passo, o vento tocava com toda leveza a ternura dos lírios; a cada cenário que se apresentavam a frente de Jesus e seus seguidores, os corações se enchiam de ansiedade e ao mesmo tempo de paz.
De repente, todos param! O mestre se assenta sobre uma pedra, os seus amigos mais íntimos a seus pés, e os demais seguidores se aconchegam o mais perto possível para ouvi-lo. Alguns querem seus milagres, outros querem apenas ouví-lo, outros ainda buscavam uma ressalva a fim de contestá-lo. Mas um era o sentimento de todos: queremos a manifestação de Deus.
Para surpresa de todos, nada acontece. Nenhum milagre ocorre, nenhuma manifestação extraordinária surpreende a todos. Apenas aquele homem se levanta e começa a discorrer. Após horas de discurso, todos estavam cansados e com fome. Os discípulos alertam o mestre para tal fato, no qual ele responde:
– Alimentem a multidão!
Os discípulos se apressam em respondê-lo, e dizem:
– Mas, senhor, como nós alimentaremos tal multidão? Nem que multiplicássemos todo o nosso dinheiro, seriamos capazes de alimentá-los”
Um certo homem, ouviu a conversa e os interpelou dizendo a André que tinha comida. André foi e disse a Jesus:
– Senhor, tem um homem aqui que possui 5 pães e 2 peixes para dividir…
Foi somente após o gesto deste homem que, então, Jesus orou agradecendo…”
O que esta história tem a nos ensinar? Teria ocorrido, de fato, o milagre da multiplicação de pães e peixes? Se de fato ocorreu uma multiplicação, por que Jesus agradece ao Pai pela divisão que um anônimo se propôs a fazer? Ou seria esta mais uma parábola para nos ensinar os mistérios do reino de Deus?
A questão central e a trivialidade do texto estão na proposta dos discípulos e na proposta do homem.
Enquanto os discípulos queriam uma intervenção extraordinária, o homem fez um singelo gesto de repartir; enquanto os discípulos optavam pela conveniência, o homem optou pela atitude; enquanto os discípulos queriam ver a mão de Deus agindo, aquele simples homem queria ser a mão de Deus em ação. O fato é que a resposta dos apóstolos é a mesma resposta da maioria das pessoas.
Esta pequena parábola revela que milagre de verdade, aquele vindo de Deus e que produz vida, se faz quando se divide, e não quando se multiplica. Erroneamente chamamos este texto de “a multiplicação dos pães e peixes”, quando na verdade o que ocorreu foi “a divisão de pães e peixes”.
Multiplicação acentua a avareza do coração humano, já a divisão quebranta todas as possibilidades retenção e captação de recursos para si; a multiplicação revela o egoísmo humano ante a necessidade do próximo, já divisão revela que o amor ao próximo é o trabalho das mãos de gente altruísta.
Ante aos acontecimentos ocorridos neste inicio de 2011, muitas pessoas se indagaram: onde está Deus? Por que tanto sofrimento? Por que tanta desgraça? Já outras se ocuparam em defender a “soberania divina”, dizendo que estes eventos são determinação divina. Porém somente alguns anônimos se compadeceram do outro, e se propuseram a repartir os 5 pães e 2 peixinhos.
Diante de situações como estas ocorridas no inicio deste ano, ou em situações como a descrita na parábola, os olhos de Jesus estão a procura dos anônimos que se tornarão as mãos e os pés de Deus, pois estes sabem que o grande milagre da vida (Deus) é fazer o homem dividir, isto é, ajudar um ao outro.
Somente assim, com este espírito é que no final de tudo sempre sobram 12 cestos cheios para alimentar mais outra multidão.
Ah… antes que eu me esqueça, o nome do indivíduo da parábola, aquele que dividiu os pães e os peixes, se chama “você”.
Nele,
Que repartiu sua vida em entre todos,
Victor.
2leep.com
Texto bonito, porém em nenhum lugar diz que os discípulos queriam uma intervenção extraordinária, muito pelo contrário, eles queriam mandar as pessoas embora. Lembre-se que os discípulos alternavam muito a polaridade de sua fé.