Caminhar é preciso – um conselho a um querido amigo

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Eu já passei por momentos na minha vida que pensei ser a desistência o melhor dos remédios. Momentos em que a confusão era tanta, a ponto de não saber se haveria respostas pra tanta pergunta. Temia procurá-las dentro de mim, poderia me perder em meio a tanta dúvida. Evitava acreditar que elas viriam de fora, afinal era um momento particular e poucas pessoas me socorreriam de algo que estava aqui dentro, oculto, guardado, machucando-me.




Sei, também, que ainda sou um jovem de apenas 22 anos e que tenho muito a viver, contudo posso dissecar meus momentos de angústia, a fim de aprender e apreender belezas até mesmo das feiuras; e corroborar com o bom desenvolvimento da vida. Ser moço não é sinônimo de inexperiência, não quer dizer ignorância, pelo contrário, pode provar a muitos que idade nem sempre quer dizer inteligência, sabedoria e até mesmo qualidade de vida. Na vida, nem toda regra é peremptória e as exceções estão aí pra validar as poucas regras que, ainda, permanecem.


É na adolescência que somos bombardeados pelas dúvidas mais inquietantes, as mais insaciáveis. Mas (já) posso dizer que ser jovem, num mundo pós-moderno e cheio de novidades, totalmente internetizado, também não é tão fácil. Enquanto o adolescente luta pra obter respostas, ou no mínimo aquietar o coração, o jovem luta pra acompanhar a evolução, a fim de não viver dando passos descompassados com seu tempo. Felizes aqueles que conseguem se valer da sabedoria que vem do alto; sim, é possível viver à frente de seu tempo.


Em algumas fases da vida, viver é um exercício infrutífero. A cada dia, sob a presença do imponderável, a cada instante, pegos pela chegada sem aviso prévio do novo, lutamos pra não olhar pra dentro de nós mesmos. Só vemos obscuridade, nos sentimos ocos. Parece que fomos jogados no meio do Oceano, não há resgate, não há botes, não há perspectiva. 


Mas o imponderável nem sempre nos desfavorece; de repente alguém nos estende a mão. Sem premeditar, vemos diante de nós uma boa ideia; boas perguntas que geram em nós alternativas; respostas não elementares ou perguntas libertadoras. Carinho, afeto, consolo, companhia, amizade, família, amores…eis a recompensa dos pacientes. Somos surpreendidos pelo milagre, Deus revela estar conosco num simples gesto alheio. Só assim é que percebemos que correr, a fim de alcançar soluções rápidas, pra nada vale. Não ganhamos nada com a pressa. Uma boa alternativa para momentos de angústia, indecisões e incertezas, talvez seja parar, encher o peito de ar, tomar fôlego e dar passos lentos, calmos, tranquilos. Até aqui, viver me provou que, quando parece que chegamos no fim, nada é melhor que desacelerar, repensar e reinventar a própria vida. 


Amigo, atenda este conselho. Acolha esta sugestão. Pode ser que a sua vida te prove, assim como a minha tem me provado, que o segredo não é correr, somente caminhar


Com muito carinho, a você Fe.


Will
2leep.com

Sobre certa conspiração

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Vez ou outra sou agraciado: algum abençoado me inclui em sua lista de e-mails e embeleza minha caixa de entrada com correntes, teorias, piadinhas etc. Exceto as correntes – na maioria das vezes evangélicas -, os demais conteúdos são avaliados e deles retenho o que é proveitoso. Não existe filtragem; não tenho medo de humor, levo em consideração que pra rir é necessário, algumas vezes, ignorar o pudor. 



Mas como tudo não está e nem é tão ruim que não possa ser piorado, começo a considerar que existe sim algo tão ruim quanto as famigeradas correntes. Com a ajuda dos tele-evangelistas, a síndrome de vira-lata se apossou dos evangélicos (Nelson Rodrigues antecipou-se ao tempo); não posso ignorar o passado, tampouco o presente, mas é impossível não reconhecer que há muito os evangélicos sentem-se perseguidos por todos no Universo.


Se alguém pensou que a Xuxa e seu suposto pacto com o Cão e o hit Marquei um X (uma suposta referência ao 666 de Apocalipse, quando repetido três vezes, posto que se lê xis e de trás pra frente temos o seis em inglês) é o que deixa os crentes de cabelo em pé, está redondamente enganado. Histórico e “Silasmalafaiamente” falando, a grande inimiga dos evangélicos é a Rede Globo de Televisão. Depois do BBB então…

É… a moda agora é teorizar sobre o BBB. Diante da atual versão, com participação de homossexuais, os evangélicos postulam que a Globo quer infestar nossa sociedade de malignidade. Fala-se em uma “silenciosa investida da Rede Globo” contra a família, os valores, os costumes etc.

Mas o que é pior? Ver a Globo reproduzir as perturbações de uma sociedade em mutação – se para o bem ou para o mal, não importa – ou ver madrugadas e manhãs tomadas por programação evangélica de péssimo nível? Talvez seja pior mesmo ver o JN denunciar as santas falcatruas do movimento (mais do que falido) popular evangélico do que ver supostos pastores vendendo bênçãos pela bagatela de R$ 900,00. Deve ser melhor ver infelizes que se autodenominam apóstolos vendendo toalhinha com suor santo do que a Série Sagrado que apresenta a diversidade das visões religiosas sobre diversos assuntos atuais e pertinentes – os representantes evangélicos são: Israel Belo de Azevedo e Ricardo Gondim.

Eu não assisto nem curto BBB, entretanto suas “inovações” não me incomodam. O sábio dizia que “não há nada de novo debaixo do Sol”. A qualidade do programa é proporcional a qualidade dos telespectadores. O povo tem da mídia aquilo que ele merece – salvo raras exceções.

Havendo ou não conspiração contra o evangelho e seus valores inamovíveis, glória a Deus por isso. Foi o próprio Cristo quem disse que seriamos bem-aventurados quando perseguidos por Seu nome. Nosso Senhor avisou-nos de antemão acerca da perseguição a que seríamos submetidos. Aos que a Ele entregaram suas vidas, cabe apenas agradecer pela perseguição e pela conspiração – se é que ela existe -, pois é no excesso de trevas que a luz tem oportunidade (e o dever) de prevalecer.

Que os filhos das trevas são mais sábios que os da luz, já não há mais o que se discutir. No entanto quem está contra o evangelho nem sempre são os que não são do evangelho, mas os fatos provam que, há séculos, o grande inimigo da igreja de Jesus Cristo são aqueles que em nome dela falam sem ter com ela nenhuma filiação.

Em Cristo, Deus dos não-neuróticos, 

Will
2leep.com

Percepção

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 Percepção


Acostumado com a religião, perdi a noção – se é que a tive – de que Deus está em todo lugar. A alienação nos rouba a noção da vida, lacra-nos ante a existência e nos impõe processos de morte. Aos poucos, bem aos poucos, em doses homeopáticas, cresce dentro de nós a insana consciência de que Deus está no templo religioso, ali é sua casa, ali é sua moradia, só ali podemos encontrá-Lo.


Foi fácil para a religião me roubar a alma, me vendar os olhos e manter-me à beira de um abismo: ou serves à igreja, ou serves à vida. Sem saber a verdade, penhorei meu eu à instituição, empenhei minha vida acreditando alcançar o céu. Com toda a sua voracidade, os religiosos me promoveram uma lavagem cerebral, perdi os sentidos, arrebataram-me a sensibilidade. Não vivi, só vegetei.

Agora, longe dos processos religiosos, luto para retomar meus sentidos, reavivar minha alma, consciente de que o tempo não volta, os ambientes se desfazem e a alegria, do que poderia ser, é um tempo irretomável.  Os relacionamentos que se desfizeram com o desligamento me causam preocupação e minha alma se angustia; as amizades, que resistiram ao rompimento, garantem-me que os que foram jamais estiveram e só o que ficou realmente esteve. Acredito e isso me consola; mas ainda não me aquieto, insisto em acreditar que aqueles momentos não foram tão fúteis.

Readquirida a posse da vida, refaço minha espiritualidade; depois de destruídas as raízes da religião, reescrevo minha história, consagrando cada instante, divinizando qualquer ambiente. Recomeço relacionamentos, crio amizades que dependem apenas da disposição de ser, da realidade de estar e do prazer da companhia. Já não existem discursos dogmáticos e obrigações religiosas.

Depois de um domingo à sublime companhia de novas amizades, degustando uma saborosa picanha acompanhada de um bom frisante,  percebo que Tu, oh Deus, Estás aqui e ali, ontem, agora e amanhã, em qualquer lugar, cabendo a mim a delicadeza de perceber-Te.

À Tua sombra, Altíssimo,

Will
2leep.com

Eu li A Cabana (arquivo)

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Existem livros que nos envolvem tanto a ponto de lermos definitivamente mergulhados e envolvidos em suas histórias ou reflexões.

Comprei  A Cabana sem grandes expectativas. Na sua aquisição pensei adquirir mais um livro de ficção que um “fulano” lançou nos EUA, vendeu pra caramba e agora tenta fazer sucesso no Brasil, afinal, o que um livro com um tema destes e de ficção poderia me acrescentar?

Eu Não sou (melhor dizer não era) muito de comprar livros sem propóstios específicos, mas isso era antes de A Cabana.

Bom, acabei de ler o livro, e sabe qual o resultado de minha leitura: Estou marivalhado e transformado com a idéia de Deus e de vida que o livro propõe - A Cabana foi como um soco na cara, tamanho o impacto.
Há muito não lia algo tão dinâmico e vivo (exceto a Bíblia e uns textos por aí).

Quase nunca temos a resposta para a dor e o sofrimento, porém, A Cabana deu-me uma resposta impressionante: Sofrer dinamiza a vida, a fim de que construamos relacionamentos sólidos a partir da dor. Na verdade A Cabana apenas consolidou várias visões que tenho sobre Deus e a Vida (gastei uma caneta marca texto quase toda).

Abaixo, dois trechinhos, dentre os vários que ainda ressoam dentro de mim ,desse milagre chamado A Cabana.

(…) Todo o mal decorre da independência e a independência foi a escolha que vocês fizeram. Se fosse simples anular todas as escolhas de independência, o mundo que você conhece deixaria de existir e o amor não teria significado. O mundo não é um playground onde eu mantenho todos os meus filhos livres do mal. O mal é o caos, mas não terá a palavra final. Agora ele toca todos que eu amo, os que me seguem e os que não me seguem. Se eu eliminar as consequências das escolhas das pessoas, destruo a possibilidade do amor. O amor forçado não é o amor.

(…) meus propósitos não existem para o meu conforto nem para o seu. Meus propósitos são sempre e somente uma expressão de amor. Eu me proponho a trabalhar a vida a partir da morte, a trazer a liberdade de dentro do que está partido, a transformar a escuridão em luz. O que você vê como caos, eu vejo como desdobramento. Todas as coisas devem se desdobrar, ainda que isso ponha todos os que eu amo no meio de um mundo de tragédias horríveis, mesmo os que são mais próximos de mim.

Como escreveu o Pr. Ricardo Gondim em seu site: Faça um favor à sua alma, leia A Cabana.

Publicado originalmente em 12/10/2008.
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