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Eternidade – Crombie

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Eternidade
Por: Crombie

Vivo a eternidade no meu dia-a-dia
Imagine você a beleza do lindo lugar
Ouve só as lindas cantigas que soam por lá
Quem vive na esperança não perde por esperar

Eu não te contei com palavras
Eu não saberia explicar
A imaginação ganhou asas
Segredo a se revelar

Eu não te falei teoria
Eu quis viver pra mostrar
A minha maior alegria
Que eu possa te encontrar

Vivo a eternidade no meu dia-a-dia
Imagine você a beleza do lindo lugar
Ouve só as lindas cantigas que soam por lá
Quem vive na esperança não perde por esperar

Eu não te contei com palavras
Eu não saberia explicar
A imaginação ganhou asas
Segredo a se revelar

Eu não te falei teoria
Eu quis viver pra mostrar
A minha maior alegria
Que eu possa te encontrar
No céu
No céu
No céu…

Ainda existem profetas-poetas cristãos que fazem música boa na contra-mão do mercado gospel e que não se dobraram ante a deusa teologia da prosperidade. Glórias a Deus por isso!

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Exerça um senso crítico musical

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Se tem uma coisa que eu não adiro , ou melhor, não ouço, sem questionar, é música. Podem me chamar de chato, antiquado, obsoleto, mas música boa é música que me faz pensar!

Atenção! Meu ouvido não é pinico!!!

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Sr. Sim (Yes Man)

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Fui esta semana o cinema e assisti ao filme Sr. Sim, cujo elenco é composto por nada mais, nada menos que Jim Carrey. Diga-se de passagem: gostei muito do filme; um, dos poucos filmes de comédia que me arrancou umas gargalhadas ultimamente.

O filme conta a história de um homem chamado Carl, que vive uma vida totalmente rotineira e derrotada, principalmente, após o término de seu casamento. Seus amigos insistentemente o convidam a fazer várias coisas para ver se ele quebra esse vício em que se enclausurara; porém, em cima de desculpas e mais desculpas ele sempre diz “não”.

Até que um dia, Carl, por indicação de um amigo que ele reencontra em frente o banco onde trabalha, se inscreve num programa de auto-ajuda onde, a partir daquele momento, a pessoa deveria dizer “SIM” a todas as oportunidades que se lhe aparecessem na frente. A parir daí, o frustrado Carl que levava uma vida totalmente rotineira, começa a viver de maneira totalmente alucinante e imprevisível, descobrindo coisas novas o tempo todo, pois ele passa a dizer “SIM” a todas as oportunidades o tempo inteiro.

Carl, no entanto, não percebe e não mede as conseqüências de dizer “sim” em todo o momento e a auto-ajuda, que com o tempo era para se tornar algo espontâneo e nato de uma pessoa que agora sabe aproveitar a vida melhor, começou a mostrar seus revezes, de tal forma, que ele perde o controle da vida e passa a correr o risco de se ver longe da pessoa mais importante para ele: sua namorada Allison.

Esse filme além de arrancar umas boas gargalhadas, nos ensina o perigo dos extremos em que as pessoas se sujeitam a viver. Na verdade, o filme retrata a frase mais célebre do livro de Eclesiastes: Não sejais demasiadamente justos… E não sejais demasiadamente ímpios… (Ecles. 7 v 16-17).

O ser humano sempre se propõe a viver extremos buscando significados e razões para a vida. Diante disso, ou a pessoas se entregam num existencialismo puro (dizendo sim a tudo e a todos) ou se entrega num mundo totalmente limitado e controlável (não provando, não tocando, não manuseando nada). O problema dessas duas formas de se conduzir o existir são as complicações e os desdobramentos que ambos produzem. Se de um lado o ato de dizer “sim” a tudo, pode destruir a alma causando a chamada dissolução, de outro dizer “não” a tudo reduz o ser à depressão e a amargura de um existir frio e sem vida – ambos os casos conduzem o ser a morte existencial, ou seja, a destruição da alma.

O que precisamos entender é que num mundo relativizado pela queda, nunca conseguiremos a felicidade plena (dizendo sim) e nunca conseguiremos a responsabilidade e a exemplaridade absoluta (dizendo não). Na vida sempre haverá percalços e improvisos, por isso não nos é revelado o amanhã e a nós cabe viver o hoje.

Por isso que, a partir da fé, tudo se torna Graça e toda essa relativização, em Cristo, é superado; não é à toa que Paulo que tudo o que não é feito por fé é pecado em essência. Eu não preciso dizer “sim” o tempo inteiro, visto que é impossível (e o filme mostra isso) agradar a duas pessoas ao mesmo tempo; como também, eu não preciso dizer “não” a vida toda, a fim de evitar a dor.

O que precisamos crer e saber é que existe uma diferença entre ser pecador e ser sacaneador. Nossos erros não nos diminuem diante de Nosso Senhor, pois, em Cristo, o erro serve de adubo para crescimento e para um existir na Graça dAquele que nos salva por Ele mesmo (consciência de quem é pecador). O que não podemos é usar a liberdade concedida pela Graça para pecar de maneira dissoluta (mente de quem é sacana).

No mais, meu amigo, é viver extraindo o melhor da vida, sem medo de ser feliz!

Este filme eu recomendo!

Vic

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Por que escrevo?

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Esta é uma pergunta que eu mesmo me faço. E para a qual não tenho resposta exclusiva; ou, como diria Descartes, clara e distinta. Escrevi 48 livros ao longo de 30 anos, fora aqueles nos quais participo como co-autor. Redijo de oito a dez artigos jornalísticos por mês. E… por que escrevo? Trago uma multiplicidade de hipóteses não excludentes.

Escrevo para construir minha própria identidade. Tivesse sido criado por lobos, será que eu me sentiria lobo no mundo? A identidade é também reflexo de um jogo de espelhos. Se pais e mestres me tivessem incutido que sou tapado para as letras, e não me restasse alternativa senão trabalhar no fundo de minas, talvez hoje – se houvesse sobrevivido – eu fosse um mineiro aposentado.

Minha experiência, porém, foi diferente. Os espelhos reluziram em outras direções. Já trazia em mim o fator filogenético. Meu pai escreve crônicas. Minha mãe publicou sete livros de culinária. O gato da casa não escreve; mas, pelo jeito, gosta de ler, a julgar pelo modo como se enrosca em jornais e revistas.

Veio, então, o fator ontogenético. Segundo ano primário, Grupo Escolar Barão do Rio Branco, Belo Horizonte. Dona Dercy Passos, que me ensinou o código alfabético, entra em classe sobraçando nossas redações. A professora indaga aos alunos: “Por que não fazem como o Carlos Alberto? Ele não pede aos pais para redigir suas composições”. (Bonito: composição. Promove a escrita em nível de arte poética e musical). A palavra elogiosa pinçou-me do anonimato, inflou o meu ego, trouxe-me um pouco mais de segurança na tarefa redacional.

Tornei-me ávido leitor. Monteiro Lobato, coleção “Terramarear”, o Tesouro da Juventude. Não lia com a cabeça, e sim com os olhos. O texto se fazia espelho e eu via meu próprio rosto no lugar do perfil anônimo do autor. Mais do que o conteúdo, encantavam-me a sintaxe, o modo de construir uma oração, a força dos verbos, a riqueza das expressões, a magia de encontrar o vocábulo certo para o lugar exato.

Primeira série ginasial, colégio Dom Silvério, dos irmãos maristas, Belo Horizonte. Irmão José Henriques Pereira, professor de Português, aguarda-me à saída da aula. Chama-me à parte e sentencia: “Você só não será escritor se não quiser”.

Escrevo para lapidar esteticamente as estranhas forças que emanam do meu inconsciente. Aos poucos, fui descobrindo que nada me dá mais prazer na vida do que escrever. Condenado a fazê-lo, tiraria de letra a prisão perpétua, desde que pudesse produzir meus textos. Aos candidatos a escritor, aconselho este critério: se consegue ser feliz sem escrever, talvez sua vocação seja outra. Um verdadeiro escritor jamais será feliz fora deste ofício.

Escrevo para ser feliz. Bartheanamente, para ter prazer. Sabor do saber. Tanto que, uma vez publicado, o texto já não me pertence. É como um filho que atingiu a maturidade e saiu de casa. Já não tenho domínio sobre ele. Ao contrário, são os leitores que passam a ter domínio sobre o autor. Nesse sentido, toda escritura é uma oblação, algo que se oferta aos outros. Oferenda narcísica de quem busca superar a devastação da morte. O texto eterniza o seu autor.

Escrevo também para sublimar minha pulsão e dar forma e voz à babel que me povoa interiormente. A literatura é o avesso da psicanálise. Quem vai para o divã é o leitor-analista. Deitado ou recostado, ouve nossas confidências, decifra nossos sonhos, desenha nosso perfil, apreende nossos anjos e demônios. Por isso, assim como os psicanalistas evitam relações de amizade com seus pacientes, prefiro manter-me distante dos leitores. Não sou a obra que faço. Ela é melhor e maior do que eu. No entanto, revela-me com uma transparência que jamais alcanço na conversa pessoal. Tenho medo do olhar canibal dos leitores, como se a minha pessoa pudesse corresponder às fantasias que forjam a partir da leitura de meus textos. Tenho medo também de minha própria fragilidade.

O texto tece o tecido de minha couraça. Com ele me visto, nele me abrigo e agasalho. É o meu ninho encantado. Privilegiado belvedere do qual contemplo o mundo. Dali, posso ajustar as lentes do código alfabético para falar de religião e política, de arte e ciências, de amor e dor. Recrio o mundo. Por isso, escrever exige certo distanciamento.

Deveria haver mosteiros nas montanhas onde os escritores pudessem se refugiar para criar. Não posso exercer meu ofício têxtil cercado de interrupções, como telefonemas, idas e vindas, reuniões, etc. Retiro-me para fazê-lo. Concordo com João Ubaldo Ribeiro quando ele afirma: “Escrever, para mim, é um ato íntimo, tão íntimo que não acerto escrever na frente de ninguém, a não ser em redação de jornal, que é como sauna, onde todo mundo está nu e não repara a nudez alheia” (Folha de S. Paulo, 19/4/92).

“No princípio era o Verbo…”, proclama o prólogo do evangelho de João. No fim também o será. Verbo que se faz carne e cerne e, ainda assim, permanece impronunciável. Inominável. A palavra lavra e semeia, mas seus frutos nunca são inteiramente palatáveis. Polissêmico, verbo é mistério.

“Escrevo por vaidade”, confessava o poeta Augusto Frederico Schmidt. Em geral, os escritores são insuportavelmente vaidosos. Tanto que chegam a criar academias literárias para se autoconcederem o título de “imortais”. Ali, a maioria sobrevive às próprias obras. Qual o autor que não atribui ao que escreve uma importância superlativa? Se o livro não vira best-seller e não é elogiado pela crítica, o autor culpa o editor, a distribuidora, o preconceito da mídia, as “panelinhas” literárias das metrópoles.

Ora, alguém conhece uma obra de indiscutível valor literário que tenha sido olvidada por ter sido impressa na gráfica do município de Caixa Prego? O que tem valor, cedo ou tarde, se impõe. O que não tem, ainda que catapultado às alturas pelos novos e milionários recursos mercadológicos, não perdura. O bom texto é aquele que deixa saudade na boca da alma. Vontade de lê-lo de novo.

Todo texto, entretanto, depende do contexto. Por isso, dois leitores têm diferentes apreciações do mesmo livro. Cada um lê a partir de seu contexto. A cabeça pensa onde os pés pisam. O contexto fornece a ótica que penetra mais ou menos na riqueza do texto. Um alemão tem mais condições de usufruir Goethe do que um brasileiro. Este, por sua vez, ganha do alemão na incursão pelos grandes sertões e veredas de Guimarães Rosa. De meu contexto leio o texto e extraio, para a minha vida, o pretexto.

Escrevo em computador. Quando busco um tratamento estético mais apurado, faço-o a mão. Hemingway escrevia de pé. Kipling, com tinta preta, em blocos de folhas azuis com margens brancas, feitos especialmente para ele. Henry James fazia esboço de cena por cena antes de iniciar um romance. Faulkner dizia “ouvir vozes”. Dorothy Parker confessava: “Não consigo escrever cinco palavras sem que modifique sete”. Escrever é cortar palavras e modificar frases.

Escrevo para assegurar o meu sustento, que não vem do maná do Céu nem da Igreja, graças a Deus. Livro dá dinheiro como a loto: para uns poucos. Neste país de analfabetos, onde os alfabetizados não têm o hábito de leitura, e as pequenas tiragens editoriais encarecem o custo do produto, viver de direitos autorais é privilégio de uma Ruth Rocha e de um Paulo Coelho. Meu também, guardadas as proporções. Porque tenho muitos livros, destinados a diferentes segmentos de leitores e, como religioso e celibatário, um custo de vida relativamente reduzido. Tivesse família, seria difícil viver dos direitos autorais.

Escrevo, enfim, para extravasar meu “sentimento de mundo”, na expressão do escritor Carlos Drummond de Andrade. Tentar dizer o indizível, descrever o mistério e exercer, como artista, minha vocação de clone de Deus. Só sei dizer o mundo através das palavras. Só sei apreender este peixe sutil e indomável – o real – através da escrita. É minha forma de oração.

Talvez, pela mesma razão, Deus tenha preferido a literatura para se expressar. Podia tê-lo feito pela pintura ou pela escultura. Podia ter esperado o cinema, a fotografia, a TV ou a cibernética. Não, escolheu o texto, a Bíblia.

Homem de fé, escrevo porque há algo de divino nesse ofício que desce às profundências do humano, tornando-as transcendentes.

Escrevo, enfim, porque não sei fazer outra coisa nem vejo motivo para deixar de fazê-lo.

Ainda assim, prossigo me perguntando: por que escrevo? E tenho ânsias de confessar que, no fundo, é para impedir que se cure a loucura que, por trás dessa aparente normalidade, faz de mim um homem embriagadoramente alucinado.

Frei Betto

[Fonte: ADITAL]

Ctrl+c, Ctrl+v do excelente blog de Laion Monteiro


PS. Diante de tamanha sabedoria só nos resta refletir e escrever.

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