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De fora é fácil condenar

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Até parece que a medicina tem que contar com milagres. Não que um médico não possa acreditar em milagres, mas a medicina é uma ciência, vive de fatos concretos e não de sobrenatural.

Uma criança de 9 anos, gêmeos, uma família, uma equipe médica e a vida em questão, de fora é muito simples condenar uma postura profissional – bem o fez a Igreja Católica.

Valer-se de um argumento piegas é vergonhoso para uma instituição de tantos anos de vida; já que devemos obedecer a “lei” de Deus, que suspendam todos os tratamentos médicos, cancelem as pesquisas sobre a cura da AIDS, desliguem os aparelhos médicos, se alguém está enfermo deve ser por causa de Deus, Ele deve ter provocado ou até mesmo injetado doenças na humanidade – talvez uma tentativa de compensar os pecados da humanidade.
Diante da vida – uma de 9 anos e outras a nascer – exige-se de qualquer profissional muita perícia e cautela. A lei máxima de nosso país permite o aborto em casos de estupro, mas a problemática é muito mais abrangente, envolve seres humanos; talvez se o parto tivesse acontecido ao invés de termos vida, teríamos – cientificamente muito provável – morte.
Existem casos onde a viabilização da vida é mais conveniente do que a possibilidade do início do existir, a medicina em muitos casos deve decidir entre ambas, mas isso, infelizmente, a falida Igreja Católica prefere ignorar.

Em Cristo, que acolhe em vez de condenar,

Will

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Perseguidores do evangelho

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Essa semana a Missão Portas Abertas publicou em seu site um novo rankig de países perseguidores do evangelho em todo o mundo.
Sem nenhuma surpresa a primeirona, pela sétima vez consecutiva, é a Coréia do Norte – totalmente natural, pois o comunismo enquanto existir, perseguirá a ideia cristã da submissão aos princípios de um Deus soberano.
Sem ser simplista, se formos citar um texto bíblico que pode embasar o espírito comunista nascendo no mundo, com certeza, mencionaremos o relato da Torre de Babel; como Ninrode, o comunismo prende seus seguidores aos seus supostos “ideais libertadores-conquistadores” impedindo-os de evoluir enquanto gente.

Segundo a Missão Portas Abertas:
A Coréia do Norte ocupa o primeiro lugar na Classificação de países por perseguição pela sétima vez consecutiva. Os cristãos são perseguidos constantemente sob o governo comunista. O reino muçulmano wahhabi da Arábia Saudita mantém o segundo lugar estável, e, na escala da perseguição, ocupa a mesma colocação que um país que também é regido pela lei sharia: o Irã.
O islã também é a religião oficial no Afeganistão, Somália e nas Maldivas, países que ocupam a quarta, quinta e sexta posição respectivamente. O Afeganistão subiu na lista este ano, como resultado do aumento da pressão por parte do Talibã em 2008. O Iêmen ocupa a sétima posição e o Laos permanece como o oitavo colocado da lista, mas em ambos os países não houve mudanças significativas relativas à liberdade religiosa.
Dois novos países aparecem entre os dez primeiros: Somália e Eritréia. Na Somália, o número de incidentes contra cristãos aumentou dramaticamente em 2008, o que explica sua subida do 12º lugar para o quinto neste ano. Na Eritréia não houve grandes mudanças na falta de liberdade religiosa para os cristãos, mas o deslocamento de outros países fez com que ela figurasse entre os dez piores. China e Butão deixaram de integrar a relação dos dez primeiros.
Em 2008, a situação da liberdade religiosa para os cristãos piorou na Arábia Saudita, Irã, Afeganistão, Somália, Paquistão, Iraque, Mauritânia, Argélia, Índia, Nigéria (Norte), Indonésia, Bangladesh e Cazaquistão.
No Irã ocorreram mais invasões a igrejas domésticas, e um número maior de cristãos foi preso, fazendo de 2008 um dos piores anos de perseguição aos cristãos desde a Revolução Islâmica em 1979. No Afeganistão, uma cristã ocidental que trabalhava em uma instituição humanitária foi morta porque, segundo o Talibã, estava difundindo o cristianismo no país, o que é proibido por lei. Na Somália, a Portas Abertas recebeu relatos de que pelo menos dez cristãos foram mortos por sua fé em 2008, e vários outros foram sequestrados e violentados. A pressão sobre a minoria cristã no Paquistão continuou incessante.
A minoria cristã iraquiana enfrentou um ano cheio de violência em 2008. Igrejas foram atacadas ou danificadas por bombas, cristãos receberam ameaças de morte e vários foram mortos, sofreram abusos e/ou sequestros.
Em 2008, a situação não piorou para os cristãos da Mauritânia, mas está bem pior do que se esperava. A mídia mauritana tem retratado o cristianismo como um movimento perigoso que precisa ser combatido, e os islamitas têm ameaçado os cristãos de morte.
Durante 2008, muitas igrejas na Argélia receberam ordem de fechar suas portas. Os líderes cristãos acreditam que a perseguição aumenta não por causa do aumento do poder dos islamitas, mas porque os convertidos ao cristianismo estão crescendo em número.
Durante anos, a Índia esteve perto do trigésimo lugar na Classificação da Portas Abertas. Neste ano, ela foi para a 22ª posição. O terceiro trimestre de 2008 registrou os piores índices de violência religiosa contra os cristãos na Índia. O número de incidentes como detenções, violência física, sequestros e atentados contra igrejas permaneceu alto em toda a Índia. “Mas não dá para comparar a Índia com um país como a Coréia do Norte, que oprime os cristãos e não lhes concede qualquer status legal”, disse o diretor da Portas Abertas na Índia. “O cristianismo não é [ilegal?] legalmente proibido no país.”
Ocorreram repetidos episódios de violência religiosa no norte da Nigéria no ano passado, e mais de 100 cristãos foram mortos e feridos. Os cristãos na Indonésia estão sob crescente pressão devido à islamização e à crescente polarização. A pressão sobre os convertidos aumentou também em Bangladesh – tanto na parte muçulmana como na budista. Um ex-muçulmano convertido foi morto em fevereiro passado. O governo do Cazaquistão tentou fechar locais de culto, e uma nova lei religiosa a ser revisada poderia afetar de forma negativa as atividades e locais de reunião cristãos.
A Portas Abertas registrou menos relatos de perseguição aos cristãos no Butão, China, Turcomenistão, Vietnã, Azerbaidjão, Sudão (Norte), Zanzibar, Cuba, Turquia e Colômbia.
As maiores mudanças ocorreram no Butão, incluindo a implementação de uma nova constituição que garante mais liberdade religiosa. Na China, a situação para os cristãos melhorou em 2008. Embora o governo tenha fechado igrejas, prendido e molestado fisicamente cristãos, não houve relatos de cristãos sequestrados ou mortos por causa de sua fé.
No Turcomenistão, o número de cristãos presos, sentenciados à cadeia, campo de trabalho ou hospital psiquiátrico diminuiu. Entretanto, a situação geral dos cristãos no país não teve mudanças drásticas.
Menos cristãos foram importunados no Vietnã no ano passado.
A Portas Abertas registrou menos relatos de perseguição de cristãos na Colômbia em 2008. Com isso, esse país que há muito tempo figurava entre os perseguidores do cristianismo não aparece na Classificação neste ano.
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O que dizer?

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E então, qual a resposta? Seria uma decisão soberana de Deus, tomada na eternidade? Seria um castigo divino às maracutaias do casal Hernandes?
Dizer que o Tsunâmi, o Katrina e os desastres de Santa Catarina foram castigos divinos sobre os ímpios é (imbecilmente) fácil; o que dizer então, das mortes na igreja Renascer?
Queiram os fundamentalistas ou não: vivemos num mundo contingencial; estamos, todos, cristãos, budistas, hindus, muçulmanos, ateus e etc., sujeitos a sofrer e muitas vezes sem os privilégios da “proteção divina”.
Nessas horas é muito bom lembrar da parábola dos homens prudente e imprudente; pois, ambos foram acometidos pela violência dos rios, pela inconsequência das tempestades e pela impetuosidade dos ventos, contudo, a diferença esteve no chão onde construíram suas casas. (Mt. 7:24-27)
O desastre na Renascer pode ser produto da imperícia humana – vivenciamos isso em congonhas e em outros desastres aéreos -, porém, a diferença está no chão do coração dos que sobreviveram – tanto do acidente, quanto da perda dos que se foram nos acidentes. Agora é a hora de de se compreender que, em Cristo, todos são apostólicos, porém, nenhum de nós é imortal ou intocável.
Em momentos assim, a melhor resposta é o abraço, a companhia e a compaixão, cientes de que Deus é tão soberano, que é o único capaz de respeitar sem titubear a liberdade concedida à sua criação – ainda que com isto, alguns tenham a vida preterida.
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O "não" de Eloá

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O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes? O rapaz deu a resposta: “ela não quis falar comigo”. A garota disse não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros nãos nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal seqüestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça.

O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos (e alguns maridos, temem dizer não às esposas). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às sogras. Chefes que não dizem não aos subordinados. Gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a seqüestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal. Os pais dizem, ‘não posso traumatizar meu filho’. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer: Não, você não pode bater no seu amiguinho. Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei. Não, você não vai passar a madrugada na rua. Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você. Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. Não, aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escola sem estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com isto você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranqüilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade.

E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O não protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora – e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

Artigo de Maria Isabel, professora de Psicologia. Publicado no Jornal do Brasil. Divulgado na Lista de Pastores da IELB – Igreja Evangélica Luterana do Brasil – e na Lista do Pensar Teológico – Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil.

Ps. Recebi por e-mail.
Embora tenha sido uma grande tragédia, corroborada por todos os envolvidos, precisamos, tentar, vê-la por uma lado bom, isto é, é diante de fatos assim que convence-se da importância da família, da polícia e da mídia na formação de uma sociedade.
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