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Cura com paixão

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Sabemos muito bem o que significa quando são realizadas curas sem compaixão.

Já vimos homens e mulheres que voltam a caminhar novamente, a ver novamente, a falar novamente, mas cujo coração permanece escuro e rancoroso.
Sabemos muito bem que as curas que não nascem da solicitude são curas falsas que não conduzem à luz, mas à escuridão.Não nos deixemos iludir por um atalho mais curto para nos conduzir à nova vida.

As muitas curas feitas por Jesus registradas nos evangelhos nunca podem ser separadas do fato de ele estar conosco.

Elas testemunham a infinita fecundidade da sua compaixão divina, e nos mostram os belos frutos de sua solidariedade para com a nossa condição.

A notícia realmente boa é que Deus não é Deus afastado, Deus a ser temido e evitado, Deus de vingança, mas Deus que se comove até o íntimo com nossas dores e participa em plenitude da batalha humana.

As curas milagrosas nos evangelhos são lembranças alegres e esperançosas desta boa notícia, que é a nossa verdadeira consolação e o nosso verdadeiro conforto.
Henri Nouwen

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Apenas um mensageiro

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Se alguém aqui estiver presente quando chegar a minha hora, não quero um enterro prolongado. Se alguém fizer o elogio fúnebre, digam-lhe que não fale demais. As vezes, penso no que eu gostaria que essa pessoa dissesse.

Digam-lhe que não mencione que eu tenho Prêmio Nobel da Paz-isso não é importante. Digam-lhe que não fale que eu tenho mais de 300 ou 400 prêmios, isso não é importante. Digam-lhe que não fale da Universidade onde estudei. Gostaria que alguém falasse no dia em que Martin Luther King Jr. tentou dar a vida para servir aos outros. Gostaria que alguém falasse no dia em que Martin Luther King Jr. tentou amar e servir a humanidade.

Quero que alguém fale no dia em que tentei ser justo e marchei com eles.

Quero que possam falar no dia em que tentei dar de comer aos que tinham fome. Quero que possam falar no dia da minha vida em que tentei vestir os que estavam nus. Quero que falem do dia da minha vida em que tentei visitar os que estavam na prisão. E quero que digam que procurei amar e servir a humanidade.

Sim, se quiserem, digam que eu fui um mensageiro. Digam que fui um mensageiro da justiça. Digam que eu fui um mensageiro da paz. Digam, que eu fui um mensageiro da retidão. E todas as outras coisas supérfulas não terão importância. Não terei dinheiro para deixar, não terei as coisas boas e luxuosas da vida para deixar, quero deixar apenas uma vida de serviço.
Se puder ajudar alguém à minha volta, se puder alegrar alguém com uma palavra ou canção, se puder mostrar o caminho a alguém que está andando errado, não terei vivido em vão. Se puder cumprir meu dever de cristão, se puder levar a salvação ao mundo arrasado. Se puder difundir a mensagem como o Mestre a ensinou, então, minha vida não terá sido em vão.

Palavras do Pr. Martin Luther King Júnior à sua igreja em Atlanta, Estados Unidos, dois meses antes de sua morte. (Extraídas do Livro: Homilética. Da pesquisa ao Púlpito; Jilton Moraes. Editora Vida.)

PS. São palavras e testemunhos assim que me fazem pensar no quanto tenho sido um genuíno cristão.

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Participando de uma dança maior

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Lamentar é algo que nos empobrece e nos faz lembrar vivamente de nossa pequenez. Mas é precisamente aqui, no meio da dor, da pobreza ou da fraqueza que o Dançarino nos convida a levantar e a dar os primeiros passos. É dentro do nosso sofrimento, e nunca fora dele, que Jesus entra em nossa tristeza, toma-nos pela mão, puxa-nos gentilmente fazendo-nos ficar de pé e nos convida a dançar. E descobrimos o caminho da oração, como o salmista: “Converteste o meu pranto em dança” (Sal.30:11), porque, no âmago da nossa tristeza, encontramos a graça de Deus.

E, enquanto dançamos, percebemos que não precisamos ficar confinados ao diminuto espaço da nossa tristeza, mas podemos sair dali. Paramos de centralizar nossa vida em nós mesmos. Chamamos outros para dançarem conosco a dança maior. Aprendemos a dar espaço a outros, e principalmente ao “Outro Gracioso” que está no nosso meio.

E quando nos fazemos presentes para Deus e seu povo, nossa vida é ainda mais enriquecida. Constatamos que o mundo é nossa pista de dança: nosso passo torna-se mais leve e ligeiro, porque Deus está chamando outros a dançarem também. (Henri Nouwen)

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A mensagem de Gênesis – Uma carta escrita por Caio Fabio

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Querido amigo no Senhor: Graça e Paz!Deixe-me ser bem simples pra ver se ninguém se equivoca com relação ao que penso. Sim, nem você e nem os que lerão no site.A narrativa do início do livro do Gênesis é claramente mítica, e é completamente verdadeira. O mito não significa mentira, engano, falsidade e fantasia. O mito é uma linguagem universal usada na perspectiva de revelar por figuras, símbolos e arquétipos, aquilo que não se viu como ocorrência, mas que se sabe corresponder à verdade do que foi gerado. Nossa tolice é tão grande que nos prende à narrativas de configuração e linguagem mítica de forma literal como se a fé só fosse fé se todas as coisas tiverem sido literais. A Escritura tem todo tipo de linguagem. Começa com a mítica, entra na semi-histórica, adentra a histórica, se utiliza da simbólica, expressa a alegórica, a metafórica, e também a literal. Ora, se a Escritura se utiliza de todas essas linguagens, não faz sentido usar apenas a visão literal na hora de lê-la, se há outras formas de linguagem em uso no próprio texto. Cada texto tem que de ser lido e discernido conforme a sua linguagem. E a Escritura não inicia dizendo que linguagem está usando, apenas porque é obvio quando uma certa linguagem está sendo praticada.

Eu creio que a Terra foi habitada, milhões de anos, por muitas criaturas, antes da criação-surgimento do homem. Creio que houve muitas eras e ciclos de vida no chão que habitamos. Creio que a narrativa do Gênesis mostra o significado divino de todas as existências, e revela o lugar especialmente importante do homem na criação. Creio que a “queda” aconteceu, e que o dialogo de Eva com a Serpente foi uma realidade, porém, a linguagem usada para nos contar algo que teve seu lugar muito mais na dimensão psicológica, é, própria e adequadamente, de natureza mítica. Creio que tudo o que ali está dito é tão mais belo e verdadeiro quanto mais se lê o texto conforme a natureza de sua linguagem. Aliás, somente desse modo o texto deixa de parecer estória da carochinha. Lendo-o como mito ele cresce ainda mais em seu significado como representação não-jornalística da verdade, e que nem por não ser “jornalística” deixa de ser verdadeira. O Gênesis apresenta o fenômeno do que nos aconteceu como espécie, e usa a única linguagem possível, em se tratando de coisas para as quais a consciência não tinha meios de perceber se não como linguagem fenomenológica. As culturas dos povos, quase todas elas, são extremamente parecidas com a linguagem do Gênesis. O que apenas prova a realidade de que o Inconsciente Coletivo da Humanidade está saturado com a mesma verdade e com os mesmos conteúdos, variando apenas na forma do mito.O modo mítico como o Gênesis relata a criação da consciência humana é, na minha pobre maneira de ver, o mais perfeito de todos. No entanto, a linguagem é mítica; e é a mais própria de todas as linguagens míticas.Mito, portanto, não é o que não é, mas sim o que é; só que sendo contado de uma forma atemporal, não envelhecível, não necessitada de re-atualizações históricas freqüentes.Você já imaginou se há quase quatro mil anos a Escritura contasse a criação do homem do modo como ela pode ter “de fato” acontecido? Quem entenderia o quê? Desse modo, a Escritura usa uma Linguagem Perene a fim de relatar aquilo que não seria jamais compreendido sem que a linguagem fosse mítica. Para os antigos era a única linguagem possível; e continua a ser a única possível para nós também.Na realidade as pessoas não entram nesse assunto não é por medo de perderem a fé, mas por temor de serem “interpretadas” como tendo perdido a fé. Ora, o Gênesis, em seu inicio, é mítico. A ressurreição de Jesus, todavia, não é narrada com linguagem mítica, mas histórica. Assim, deve-se ler o Gênesis conforme a linguagem proposta, e os Evangelhos, conforme a linguagem histórica narrativa com a qual ele está carregado. Com isto lhe digo o seguinte: Sei que Adão caiu em pecado e transgressão, embora não saiba os detalhes históricos narrativos desse acontecimento, visto que a linguagem utilizada me permite saber o que houve, mas não me detalha como foi—exceto como narrativa de natureza mítica. Já a ressurreição de Jesus, é tanto histórica quanto também é narrada em linguagem histórica, sendo, por parte de qualquer um, uma grande violência dizer que se trata de mito, visto que, para mim, é desrespeito para com a intenção, o estilo e a objetividade narrativa da história.Ou seja: a realidade é o que interessa, não a linguagem!E qual é a realidade?Somos todos herdeiros de Adão segundo o pecado; e, em Cristo, somos agora herdeiros de toda Graça. Ora, isto sim é realidade! Nele, Caio.
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